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Terça-feira, Setembro 25, 2007
Escolha
Apesar do medo
escolho a ousadia.
Ao conforto das algemas,prefiro
a dura liberdade.
Vôo com meu par de asas tortas,
sem o tédio da comprovação.
Opto pela loucura, com um grão de liberdade:
meu ímpeto explode o ponto,
arqueia a linha, traça contornos
para os romper.
Desculpem, mas devo dizer:
eu quero o delírio.
(Lya Luft)
por Kellyene às 2:26 PM
Entorpecendo …
Segunda-feira, Agosto 20, 2007
Wicked Game
"O que a gente fez foi brincar de nudez ! Não foi namoro, nem estupidez !"
(Kellyene Coelho - 15/08/2007)
por Kellyene às 1:20 PM
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Sexta-feira, Agosto 17, 2007
The human joke !
Num dia eu olho e é você ! Você é a pessoa certa,
minha alma gemêa, minha perfeição,
meu futuro , meu amor, meu bem, a paz, o sossego,
atenção e o edredom.
Dividimos tantas coisas ...
No tempo, meus olhares tiveram os seus como horizonte e templo e só.
No tempo, eu tinha entrega e uma deliciosa lente cor de rosa nos olhos. Rosa Pink sabe ?
Mas a minha paixão, instável, paralisante e demi literária não durou muito.
Sobram os conselhos sem consolo de que "tudo valhe a pena", pro inferno o "tudo vale a pena".
Sobram as sobras que a gente tenta jogar no lixo, escorrer pelo ralo pra tudo virar nada.
Um coração esmigalhado (sinónimo de estilhaçado, acabado, na merda), descrente, vazio.
E quem sabe uma recuperação ...
Um tempo, em que um outro me faça cometer o mesmo sublime disparate !
E outras dores, intensidades e amores.
(Kellyene Coelho)
Escrito breve !
Seguindo os conselhos de Rilke eu vou me "resgatar dos temas gerais" como o amor.
Então eu me atenho em sentir, e me ato aos grandes !
As sem-razões do amor
Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.
(Carlos Drummond de Andrade)
por Kellyene às 9:17 AM
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Quarta-feira, Agosto 08, 2007
Outro dia...
Eu estava vendo a Cultura e a Sabrina Parlatore estava fazendo uma entrevista com uma mulher chamada Maitena, uma cartunista. Achei legal continuei a assistir. Um barato a mulher. Os cartoons então ! Fantásticos ! Como principal foco a mulher é retratada de uma forma moderna , inteligente, e natural rs. Todas as nossas peculiaridades (ou seriam maluquices) foram muito bem escritas e desenhadas. Fale a pena conferir o talento dessa argentina criativa ! Quem quiser ler mais sobre a vida e obra clique aqui e aqui
Post em homenagem a amiga Veleida ! Veleida, Maitena é a sua cara !
por Kellyene às 11:40 PM
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Quarta-feira, Julho 25, 2007
Ouvindo loucamente Yann Tiersen ...
por Kellyene às 2:28 PM
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Terça-feira, Julho 17, 2007
Tirinhas retiradas do ótimo site Malvados criado por André Dahmer

por Kellyene às 9:33 AM
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Sexta-feira, Julho 13, 2007
Esse é um trecho de João Cabral de Melo Neto, um trecho belissimo sobre o amor.
Os Três Mal-Amados
Joaquim:
O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.
O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.
O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.
O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.
Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.
O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.
O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.
O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.
O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.
O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.
O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.
As falas do personagem Joaquim foram extraídas da poesia "Os Três Mal-Amados", constante do livro "João Cabral de Melo Neto - Obras Completas", Editora Nova Aguilar S.A. - Rio de Janeiro, 1994, pág.59.
por Kellyene às 11:05 AM
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